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Nossa campanha no festival Vilar de Mouros

Depois de Paredes de Coura, fomos a Vilar de Mouros. Falamos com mais de uma centena de pessoas, fizemos amizades e criamos histórias.

Diogo Ferreira ·

Leo no rio de Vilar de Mouros com o cartaz da campanha BananaSplit

Depois do sucesso de Paredes de Coura, sabíamos que não podíamos ficar parados. Encontramos o PMF, mas neste caso o M não é de Market. PMF é o que o Leonardo chamou de Product Marketing Fit.

Então decidimos apostar no festival em Vilar de Mouros para mais uma campanha.

O sucesso tem peso

Quando chegamos a Vilar de Mouros, a expectativa era alta. Seguimos o mesmo registro de Paredes de Coura: queríamos pegar as pessoas antes de o festival começar, para conseguirmos a criação de grupos e a divisão de gastos no BananaSplit. Fomos na segunda-feira e o festival começava na terça.

O warmup de Vilar de Mouros é mais calmo. Encontramos a praia fluvial com pouca gente. A demografia também é mais velha do que a de Coura, e mais familiar.

A praia fluvial de Vilar de Mouros

O rio.

O lugar onde montamos a nossa "barraca" também não era tão bom. Não havia tanto espaço de manobra nem tanta visibilidade. Pouca gente passava na frente. O público da praia via alguma coisa ao longe, mas com a distância não era claro que era uma campanha nem do que se tratava e caminhar até lá exige risco, há sempre um pouco de vergonha. Quando tem gente, diminui o risco de qualquer pessoa se aproximar. Ser o primeiro exige coragem. Até termos gente, é mais difícil.

O Derek Sivers tem um vídeo incrível sobre como criar um movimento.

Para um movimento nascer, é preciso alguém com coragem para começar — mesmo correndo o risco de parecer um tolo. Mas essa pessoa precisa dos primeiros seguidores: são eles que validam a ideia, mostram aos outros como aderir e transformam uma iniciativa individual em algo coletivo.

A partir daí, quando o movimento ganha visibilidade e impulso, deixa de ser arriscado participar — e ninguém quer ficar de fora.

Em Coura conseguimos criar um movimento, em Vilar não, tivemos de improvisar.

Se as pessoas não vêm até a gente, a gente vai até as pessoas.

"Quem tem vergonha passa fome" é um provérbio português que se diz quando alguém quer fazer algo e está bloqueado com vergonha. Abordar alguém dá um friozinho na barriga, um medo de ser rejeitado ou de algo correr mal. Mas a gente tem fome. Temos muita vontade de vencer. E não podemos nos dar ao luxo de ir a um lugar e voltar sem deixar tudo o que temos.

Então foi isso que fizemos, devagar, fomos conseguindo chamar a atenção das pessoas e individualmente fomos apresentando a nossa campanha.

Pessoas na campanha BananaSplit em Vilar de Mouros usando o app no celular

A Ana e os Devil of a Woman

Uma dessas pessoas foi a Ana, vocalista dos Devil of a Woman. Empatizou muito conosco, com a nossa garra e vontade. Ela que, na banda dela, um pouco como uma startup, também tem de lutar muito para ter reconhecimento.

A Ana, vocalista dos Devil of a Woman, com a equipe BananaSplit na campanha de Vilar de Mouros

A Ana conosco na campanha. Valeu o story.

Ficamos muito felizes ao saber que ela ia se apresentar pela primeira vez em Vilar de Mouros, um sonho dela desde os tempos em que começou a ir ao festival, onde já é assídua há anos.

Foi inspirador.

É disso que se faz uma campanha. A troca de histórias. A ajuda mútua. E a Ana fez questão de publicar um story conosco para o público vir nos conhecer. Um grande obrigado, Ana. Não esquecemos do seu apoio. Você fez a diferença e faz parte da nossa história.

Tentamos a parte da noite, mais perto do camping, mas o movimento continuou pouco. Tivemos alguns grupos que nos deram apoio e chegamos ao final do primeiro dia com mais de 30 pessoas inscritas no app. Um número pequeno para o início do dia, mas satisfatório no final. Nem sempre serão dias incríveis: temos de aceitar os menos bons, tirar o positivo, aprender com as dificuldades — e aguentar os mosquitos famosos destas bandas.

No dia do festival o rio já dava para trabalhar

No dia seguinte voltamos. Era o primeiro dia do festival. Sabíamos que ia ser diferente: Vilar de Mouros não tem o warmup que Paredes de Coura tem, por isso muita gente só chega no dia.

E a recepção foi completamente diferente. O rio estava composto, não cheio, mas já dava para "trabalhar". Mal chegamos, atraímos várias pessoas sem ter de fazer reach out e conseguimos movimento na hora, o que é muito importante para atrair mais pessoas. Deu para sentir que havia mais potencial.

Vimos de novo muita gente que já tinha estado conosco no dia anterior. Trocamos mais ideias e fizemos amizades.

Engraçado que conhecemos pessoas que estiveram em Paredes de Coura que não estiveram diretamente conosco mas já tinham ouvido falar do BananaSplit. Foi muito legal.

Staff dinâmico

No primeiro dia fomos três. Nosso amigo Ricardo veio nos dar uma força. No segundo dia fui só eu e o Leo. Mas o mais engraçado é que uma menina, a Veronica, que tínhamos conhecido no dia anterior, nos encontrou de novo no rio e, no meio da conversa e da troca de ideias, acabou se juntando a nós e nos ajudando pra caramba.

Até ficou tomando conta da barraca quando o Leo teve uma ideia de rir: ir para o rio com a placa e ficar submerso. O Leo é alto, e com a placa chamou muita atenção. Foi um momento divertido que atraiu muita gente à nossa barraca.

Leo no rio de Vilar de Mouros com o cartaz da campanha BananaSplit

O Leo no rio.

Saímos do rio já com mais adesão do que em todo o dia anterior. Os acessos estavam mais condicionados, mas decidimos ir com apenas uma lancheira cheia para a zona do festival até acabar.

A Veronica continuou conosco. Jantamos juntos, compartilhamos momentos e histórias. Seguimos para a campanha noturna e ela ficou conosco quase até o final.

Uma das coisas bonitas destas campanhas é a oportunidade que nos dá de ajudar pessoas. A Veronica também é empreendedora e foi ao festival atrás de abrir algumas portas. Queria falar com pessoas da organização do festival e conseguimos conectá-la com alguém que a ajudou. Foi legal.

Quando ela foi para o recinto, as nossas caixas estavam praticamente vazias. Valeu toda a ajuda e o carinho, Veronica.

Connecting people

Connecting people.

Não é só de números

À medida que apresentamos o nosso app, também conhecemos as pessoas, trocamos ideias, recebemos feedback e, melhor de tudo, até fazemos amizades. Houve grupos que voltaram, que ficaram conversando, que nos deram ideias. Os Diogos e o Miguel. A Ana e o Diego. O Bruno e os amigos. Saímos de lá com a sensação de que já eram mais que só conhecidos.

Tivemos mais de uma centena de inscritos, alguns grupos criados. Mas como já disse, não é só de números que se faz uma campanha. É de histórias, amizades, positividade. E nisso Vilar de Mouros "explodiu".

Voltamos de coração cheio e com mais força para tornar um sonho realidade.

Na campanha em Paredes de Coura conseguimos centenas de inscrições, das quais grande parte criou grupo e ficou ativa durante e depois daquela semana. E em Vilar de Mouros mais de uma centena, com também grupos sendo criados.

Agora a verdadeira questão é: quantas pessoas vão realmente usar o app depois que o grupo do festival acabar?

Esse é o verdadeiro número que nos interessa, e só daqui a um tempo vamos saber de verdade o valor da campanha.

Não é só de números que se faz uma campanha. Há coisas às quais é difícil pôr um preço, como a impressão positiva que a marca criou.

Por mais que você seja bom na internet, não há nada como o toque pessoal e humano. Se em usuários crescemos centenas, como marca crescemos milhares.

A ousadia que tivemos de arriscar numa campanha de guerrilha, em que enfrentamos vários obstáculos, tivemos de sair da nossa zona de conforto e improvisar para no final cumprirmos a nossa missão. Acho que isso é inspirador e mostra que qualquer pessoa, se quiser realmente, consegue fazer. Não é preciso rios de dinheiro, nem autorização. O que é preciso é vontade.